Você pode tê-la visto caminhando lent...
THE GLORY OF ALBERTA HUNTER
Você pode tê-la visto caminhando lentamente por uma rua de Nova Iorque, envergando, um casaco que poderia ter saído de algum posto do Exército da Salvação, carregando uma sacola de compras em cada mão e dando uma paradinha de vez em quando para verificar os últimos preços colocados na vitrina de um supermercado. Porém é mais o desígnio do que a circunstância que algumas vezes faz Alberta Hunter assumir o ar de uma elegante "bag lady" de Nova Iorque. Por que - vocês poderiam perguntar - quando muitos intérpretes saem do seu estilo para serem reconhecidos, iria alguém tão celebrado cair no dia-a-dia das ruas? A resposta é simplesmente que Alberta Hunter tinha , na época de seus 30 anos, experimentado mais fascínio e adoração pública do que muitas pessoas encontram em toda uma vida. "Eu nunca fui de desfilar minha carreira fora do palco", disse ela quando sua carreira entrava em u seu 75o ano, "assim , quando muitas de minhas colegas saíam para recepções depois do trabalho, eu me contentava em ir para casa e relaxar." Mas que ninguém se engane: Alberta ama seus fãs e, quando é parada na rua por alguém que talvez tenha desfrutado de sua arte muito especial no Cookery (um clube de Greenwich Village, onde ela atualmente se apresenta regularmtne), ou a reconhece de uma de suas frequente participações no Today Show, ela fica encantada e desvanecida - apesar de um pouco confusa.
Gosto de ser eu mesma" - observa ela - e às vezes isto significa sendo por mim. As pessoas devem de ter tempo para refletir sobre os acontecimentos de suas vidas, e eu ainda acho difícil de acreditar que tantas pessoas queiram me ouvir cantar, especialmente depois de todos esses anos, se eles não tivessem me aposentado, eu hoje estaria trabalhando no hospital; e estaria bem contente. "O hospital é o New York´s Goldwater Memorial Hospital, onde Alberta trabalhava como enfermeira de 1954 a 1977. Sua vida tinha sido debaixo dos refletores desde 1907. Quando uma andarilha de Memphis cantou pela primeira vez Where The River Shannon Flows para as senhoras escarlates numa espelunca enfumaçada de Chicago, chamado Dago Frank´s. Daí ela galgou os palcos da Broadway em 1921; os clubes noturnos parisienses, em Robeson, em 1928; daí seguiu para Copenhagen, Cairo, Calcutá e muitas outras escalas. Seu afastamento do mundo do entretenimento foi estritamente voluntário, provocado pela morte de sua mãe. "Considerei que era hora de retribuir de alguma forma todo o sucesso que obtive como artista - afirma. Assim transformei-me em enfermeira. Já o afastamento da enfermagem não foi tão voluntário: problema de idade, que teria surgido alguns anos antes de ela tivesse fornecido a data de nascimento correta. "Eu temia que pudessem não me aceitar, então descontei alguns anos", confessa com um olhar brejeiro. Pensativa acrescenta: Não é terrível como as pessoas julgam sua habilidade pela idade que você tem: Veja o caso de Eubie, cada vez melhor e quase chegando aos cem... O problema é que alguns acreditam nisto quando lhes dizem que estão muito velhos para trabalhar. "Eubie é, com certeza o infatigável senhor Blake, que conta que um dia pensou em aposentar-se, mas não consegue lembrar-se em que ano isto ocorreu. " Se eu soubesse que iria viver tanto tempo, teria cuidado melhor de mim", disse Blake a um repórter com sua agudeza peculiar. Ele e Alberta concordam em que a atividade continua é o segredo da longevidade; eles têm visto muitos amigos e colegas falirem "assim que eles começam a não ter o que fazer", como diz Alberta "Você não pode seguir vivendo pensando como as coisas costumavam ser" Esta filosofia e a igualmente inextinguível energia fora o pano de fundo da decisão de Alberta Hunter de retomar uma carreira que esteve abandonada por um quarto de século - que felicidade para todos nós que na indústria do entretenimento, pelo menos no que se refere ao intérprete, não haja idade compulsória. "Eu sabia que ainda podia cantar, porque sempre tive o cuidado dos velhos tonéis - diz Alberta - mas nunca imaginei que encontraria tamanho sucesso, que eu seria tão afortunada."
Na verdade a sorte teve pouco a ver com a renomada popularidade de Alberta Hunter, se você tiver alguma dúvida basta escutar sua voz poderosa e sentimental enunciação registrados neste disco.
Este é o terceiro álbum de Alberta Hunter para a Columbia desde seu glorioso retorno e a sequência de uma carreira de gravações que começou hã cerda de sessenta anos, com uma sessão para a etiqueta negra Black Swan e que lhe propiciou uma longa lista de ilustres acompanhadores, que inclui King Oliver, Sidney Bechet, Louis Armstraong, Fletcher Henderson, Fats Waller e Duke Ellington. Esta tradição é aqui mantida, já que o trompetista Doc Cheatham, o trombonista Vic Dickenson e o saxofonista tenor Budd Johnson forma a linha de frente da banda que inclui os acompanhadores habituais de Alberta, o pianista Gerald Cook e o baixista Jimmy Lewis, assim como o guitarrista Billy Butler e o baterista Butch Miles - um formidável hepteto que poderia existir por si, em qualquer sociedade jazzística. O programa é variado, como costumam ser os programas de Alberta, ressaltando mais uma vez a loucura que é imaginar essa dmirável lady como uma cantora de blues. Ela também o é, seguramente, e apenas para provar que o escritor do imortal Downhearted Blues (que deu impulso à carreira de gravações de Bessie Smith) não perdeu sua inspiração, um novo blues de Hunter, I´ve Had Enough (Alberta´s Blues), marca presença aqui. Entre as outras guloseimas servidas neste prato está I Cried For You, que propicia a Dickenson e a Johnson uma oportunidade de se espalharem um pouco; a extravagante You Can´t Tell the Difference After Dark, inicialmente grava por Alberta em 1935, mas nunca oficialmente lançada; The Love I Have For You, uma encantadora melodia escrita por Alberta, que a a gravou pela primeira vez para a Decca, em 1937, e a recriou em 1978 para o filme de Robert Altman, Remember My Name; um par de saltitantes números de gospel, outro de standards e I Love You Mucho Too Much, uma bela canção que Alberta aprendeu em uma viagem a Israel e aqui parcialmente cantada em Yiddish. Minha favorita pessoal nesta eclética coleção é The Glory of Love, um grande sucesso de 1937, que francamente nunca me chamou a atenção,; mas Alberta insufla nela tamanho sentimento, que o material em si torna-se secundário.
Quando Alberta Hunter embarca no quinto ano de sua extraordinária rentrée, a irresistível recepção que a acolhera no início, permanece. Houve alguns recuos no caminhar - uma bacia e um pulso quebrado, no começo de uma temporada em Chicago; um joelho quebrado depois de um concerto em Nova Iorque - mas Alberta Hunter não permite que estes acontecido se transformem em barreira para sua carreira. "Deus não quis que eu viajasse agora - confidencia -me após o desastre de Chicago. Eu deveria de ter tirado férias e fazer-me levar um bombo desses (a aproximadamente quatro metros da entrada de emergência do Hospital de Chicago) foi Sua maneira de fazer-me conhecer - Ele disse "Eu vou parar essa mulher" e assim Ele fez." " O fato realmente marcante é que após cada revés, Alberta retorna com um vigor renovado. A prova você poderá encontrá-la dentro desta capa."
Do Álbum THE GLORY OF ALBERTA HUNTER
- Chris Albertson, Editor contribuinte Stereo Review1982 CBS Inc.
Autenticidade é tudo em alguns casos. Ela vive uma vida feliz. Gostei do texto!
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