Encontro

Vento forte, na terra dos ventos. Então fui caminhar, há dias não fiscalizava, muitas aves planando, como se brincassem ao vento, em diagonal, de lado ou simplesmente paradas no ar, uma coreografia incrível. A brutalidade do vento desprende fragmentos de espumas que passam em velocidade, cortando meu caminho até sumirem nas dunas, também esculpe na areia pedestais, que passam a sustentar conchinhas, entre outros materiais sólidos dispersos pela praia. Mas o que estava por acontecer jamais poderia imaginar. A frente, logo após um dos muitos riachos que deságuam no mar percebi um movimento estranho de uma ave, percebi o Brown muito próximo a ela, algo impossível, pois são bastante ariscas. Percebi que estava presa a uma rede de pesca, corri e tive de afastar o Brown, pois estava se debatendo e já muito estressada, o bando sobreviva, impotente para ajudar. Devagarinho me aproximei tentando acalmar, então segurei do pescoço com a mão direita e com a esquerda consegui liberar o pobre animal, que ficou um tempo paralisado. Puxei o Brown e assim que nos afastamos ela começou a reagir, uma vez de pé abriu as asas, iniciando um vôo desajeitado a princípio, mas com a ajuda do vento, que a empurrou lateralmente em direção às dunas, pode safarSe safar, misturando-se às demais. Então fui invadido de uma emoção e não pude conter meu choro. Um encontro inusitado e inesquecível.

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